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Na Intersolar Europe 2026, impossível não notar as baterias domésticas. Todos os grandes nomes do setor fizeram a viagem a Munique com o mesmo objetivo: tornar o armazenamento de energia mais simples, mais eficiente e mais barato. Entre eles, a Marstek ocupava um belo espaço com um estande animado, onde o fabricante apresentava uma nova geração de produtos que cobriam praticamente todas as necessidades residenciais.
Por minha parte, não foi uma descoberta. Já havia encontrado as equipes da Marstek durante a feira EnerGaïa em Montpellier, onde apresentaram, entre outras coisas, a solução Wirelite e as primeiras evoluções de sua linha plug & play. Algumas semanas depois, realizei um teste completo da Marstek Venus E 3, uma bateria que me deixou uma excelente impressão por sua simplicidade de instalação e eficiência no dia a dia.
Essa boa impressão, aliás, foi confirmada em condições muito menos agradáveis… Na primavera passada, uma grande falta de energia privou nosso setor de eletricidade por quase dois dias. Na Sologne, no campo, esse tipo de corte rapidamente se torna um problema concreto: congeladores, refrigeradores, conexão à Internet, iluminação, recarga de smartphones… tudo para. Ou quase. Graças à função de alimentação de emergência da Venus E, pude continuar alimentando os equipamentos essenciais durante todo o tempo da falta. Esse tipo de experiência vale muito mais do que todos os testes de laboratório – e definitivamente me convenceu da utilidade desse tipo de solução.
Portanto, foi com curiosidade (e certa expectativa) que voltei a ver a Marstek em Munique. E o que encontrei me surpreendeu: o fabricante não está mais apenas buscando melhorar um produto. Ele está construindo algo mais amplo.
Fundada em 2009, a Marstek pesa hoje quatro locais de produção, mais de 1.500 colaboradores, dos quais mais de 400 engenheiros, e controla internamente tanto a P&D quanto a fabricação. Não é mais uma marca que monta componentes comprados em outro lugar.
Isso se reflete na coesão da linha. A ideia central é bastante simples: permitir que qualquer lar adicione uma bateria a uma instalação fotovoltaica existente, sem grandes trabalhos, sem substituir o inversor, sem uma semana de obra. É essa filosofia “Plug-in Battery” que hoje é a identidade da marca. O princípio: limitar o trabalho elétrico, reduzir os custos de instalação, melhorar a taxa de autoconsumo sem modificar a instalação solar existente. Isso se encaixa bem no mercado europeu, onde milhões de lares já têm painéis, mas agora querem armazenar o que produzem.
Os representantes da Marstek insistiram nisso durante nossa conversa no estande: seu objetivo não é mais vender uma bateria, mas acompanhar tanto alguém que está instalando seu primeiro painel quanto alguém que quer complementar um sistema já substancial. Essa provavelmente é a principal novidade desta feira.
Até agora, a Venus E era a principal oferta da Marstek para o público em geral. Agora, o fabricante está ampliando seu know-how em quatro modelos que se destinam a perfis específicos.
Venus E Mini: a bateria para quem está começando
É sem dúvida o produto que mais atingirá as pessoas. Com a Venus E Mini, a Marstek visa aqueles que estão descobrindo a autoconsumo ou aqueles que simplesmente não têm muito espaço. Montada na parede, 10,5 cm de espessura, 22 kg: a Marstek afirma que é a bateria plug & play mais fina do mercado. Fixamos, conectamos, e está operacional em poucos minutos.

A ficha técnica é honesta para esse formato:
- capacidade de 2 kWh;
- potência bidirecional de 1,5 kW;
- alimentação de emergência de 1,5 kW, pico a 1,8 kW;
- transição automática em menos de 15 ms;
- células LiFePO₄, mais de 10.000 ciclos anunciados;
- IP65, utilizável em ambientes internos e externos.

O que gostei: a Marstek não a restringiu por software. Encontramos as mesmas funções que nos grandes modelos – autoconsumo, programação horária, acompanhamento em tempo real, horas de ponta, inteligência artificial interna. Funcionalidades que até agora eram caras, reservadas a sistemas muito mais imponentes.
Para um lar que consome entre 6 e 10 kWh por dia, é um bom primeiro passo. Ela já está disponível no site do fabricante ao preço de 699€.
Marstek – Venus E MINI
Venus E 4.0: o modelo que eu esperava
Este, eu realmente esperava. Estou usando a Venus E 3 há vários meses. Foi ela que alimentou minha casa por dois dias durante a falta. Conheço suas limitações e estava curioso para ver o que a Marstek tinha mudado.
A 4.0 não é uma atualização cosmética. A potência sobe para 3 kW em carga e descarga (contra 2,5 kW antes), com capacidade de 5 kWh. O gabinete é 21% mais leve, a ocupação reduzida em cerca de 7%, mesmo com uma capacidade superior.

A tela foi refeita e agora integra uma detecção de presença por radar milimétrico: acende quando nos aproximamos. Pequeno detalhe, mas que diz algo sobre a atenção dada ao uso diário.

Em termos de durabilidade, a Marstek passa de células de 100 Ah de primeira geração para células LFP de 314 Ah, anunciadas para mais de 10.000 ciclos, contra cerca de 6.000 antes.

E a 4.0 se integra na SmartBox. Várias baterias em paralelo, até 9 kW e 15 kWh, com uma alimentação de emergência que cobre toda a casa, não apenas alguns dispositivos prioritários. Para quem deseja expandir sua instalação gradualmente, é uma evolução importante.
Venus E Max: 10 kWh em um único gabinete
Com a Venus E Max, mudamos de categoria. 10 kWh em um único aparelho, 3,6 kW bidirecional, 3,6 kW de emergência com mudança em menos de 10 ms. A Marstek anuncia 44% mais potência do que a média do setor e afirma ser a primeira a oferecer uma bateria plug & play tudo-em-um nessa capacidade.

Para casas com bomba de calor, aquecedor termodinâmico ou carro elétrico, 10 kWh é um outro nível de conforto, tanto à noite quanto em uma queda de energia.
Três unidades podem ser conectadas via SmartBox: até 30 kWh e 10,8 kW, em monofásico ou trifásico.

Nota também: a Venus E Max é compatível com o carregador portátil para veículo elétrico da Marstek. A bateria pode então gerenciar a recarga do veículo com base na produção solar ou nas horas de ponta.

A Venus E Max já está disponível para pré-venda no site do fabricante ao preço de 2499€.
Marstek – Venus E MAX
Venus E Pro: o anúncio que realmente muda algo
Se eu tivesse que ressaltar apenas uma coisa desta Intersolar, seria a Venus E Pro.

Não porque ela adiciona capacidade ou potência. Porque ela simplifica a instalação fotovoltaica em si.

A maioria dos sistemas residenciais requer um inversor fotovoltaico dedicado, vários cabos DC, uma fiação nem sempre simples de implementar. A Venus E Pro integra diretamente um MPPT de alta tensão de 3 kW (50-500 V), com 2 a 8 painéis conectados em série em uma única entrada. Resultado: dois cabos entre os painéis e a bateria. É tudo.

As equipes da Marstek insistiram nas implicações concretas: tempo de instalação reduzido, menos cabos, custo total em baixa. E para o particular que deseja instalar por conta própria, é também mais acessível.
A bateria começa em 2,08 kWh, expansível até 12,48 kWh com módulos adicionais. Ela também possui:
- acoplamento AC de 2 kW;
- emergência de 2 kW, com mudança em menos de 10 ms;
- equalização ativa das células;
- LFP, mais de 10.000 ciclos;
- funcionamento de -20 a +60 °C;
- IP65.
O que vejo nesta Venus E Pro é a direção em que o armazenamento residencial está indo: produção, conversão e armazenamento em um único equipamento, que se expande à medida que as necessidades aumentam. As primeiras baterias plug & play vinham complementar uma instalação existente. Esta começa a substituir componentes, e isso não é a mesma coisa.
E já há uma sequência anunciada: a Venus E Pro Max, prevista para o T3 de 2026, com um duplo MPPT de 4,8 kW, 3 kW bidirecionais, 3 kW de emergência e uma capacidade escalável até 30,72 kWh.
Esse modelo me interessa particularmente, pois tenho painéis solares no telhado instalados sob um contrato de revenda com a EDF. Contrato de 20 anos, que termina em 3 anos. Na época, não havia microinversor, os painéis foram instalados em série e conectados a um grande inversor. Com 8 painéis em série, podemos dizer que a tensão na saída é alta. E poucas soluções aceitam tal tensão. Ao final do meu contrato com a EDF, essa Venus E Pro Max poderá perfeitamente substituir meu grande inversor para permitir a autoconsumo e o armazenamento desses painéis que até agora estavam um pouco à parte. Essa instalação dedicada apenas à revenda irá, portanto, complementar meu sistema de autoconsumo, adicionando 2 kWc aos outros painéis :)
Mais do que material: o software ganha espaço
O que provavelmente mais me surpreendeu em Munique foi a mudança de registro na Marstek.
Quando os encontrei na EnerGaïa, e depois quando testei a Venus E 3, a marca era antes de tudo conhecida por suas baterias fáceis de instalar. Um ano depois, o discurso mudou.
Não se trata mais apenas de armazenar os excessos fotovoltaicos. O objetivo declarado é gerenciar toda a energia da casa. A bateria se torna o centro de controle da residência. E os fabricantes presentes em Munique, de modo geral, agora falam tanto de software quanto de quilowatt-horas.
MARSTEK Intelligence: IA que substitui a programação horária
O fabricante apresentou assim a MARSTEK Intelligence, uma plataforma de software que otimiza automaticamente o funcionamento das baterias.
Em vez de uma simples programação horária, o sistema cruza as previsões meteorológicas, a produção fotovoltaica esperada, o histórico de consumo do lar, os hábitos do usuário e, quando disponível, as tarifas dinâmicas da eletricidade.
A bateria adapta sua estratégia em tempo real. Ela pode decidir manter uma capacidade disponível se um belo dia estiver previsto ou recarregar à noite em uma tarifa de horas de ponta vantajosa.
Uma excelente notícia, pois se a Marstek oferece excelentes produtos, a parte de software ainda estava um pouco atrasada em relação à concorrência. O fabricante parece ter ouvido os feedbacks de seus usuários!
O VPP: sua bateria trabalha para a rede quando você não a usa
Outro tema presente no estande: os VPP, ou Virtual Power Plant (usinas de energia virtuais).
A ideia é simples. Em vez de cada bateria funcionar isoladamente, milhares de instalações são agrupadas e controladas pelos operadores da rede. Quando a rede precisa de potência, injetamos. Quando há um excesso de produção, as baterias se recarregam. E o particular é remunerado por participar.
Isso já funciona em vários países europeus. Na França, isso ainda não é um argumento decisivo para comprar uma bateria, mas os equipamentos que estão saindo hoje já integram as interfaces para se conectar quando isso estiver disponível. Acompanhar de perto, portanto!
A compatibilidade de automação residencial: finalmente
Esse é o ponto que nos interessa particularmente. A crítica clássica às baterias domésticas: elas funcionam em um vácuo. Cada uma tem seu próprio aplicativo, mas quase nenhuma realmente se comunica com o restante da casa.
A Marstek anuncia compatibilidade com Home Assistant, Shelly, Alexa, Clever-PV, EverHome, SENEC e Octopus Energy – com outras integrações previstas nas próximas atualizações.
Para alguém que já tem um Shelly Pro 3EM para monitorar seu consumo, ou que controla sua casa a partir do Home Assistant, é concreto: a bateria pode adaptar sua estratégia de acordo com os dados reais da casa, com as previsões meteorológicas enviados no HA, com o nível de carga do carro. Passamos de uma bateria que armazena para uma bateria que raciocina com base no que sabe da casa. É uma verdadeira diferença.
A SmartBox: o módulo que faz o sistema evoluir
A SmartBox merece ser mencionada separadamente, pois muda o que as baterias podem fazer.
Ela não está apenas lá para conectar várias baterias. Ela transforma o sistema de “uma bateria plug & play” em “uma instalação energética residencial”: várias baterias em paralelo, monofásicas ou trifásicas, com alimentação de emergência em toda a casa.

De acordo com o modelo:
- Venus E 4.0: até 9 kW e 15 kWh;
- Venus E Max: até 10,8 kW e 30 kWh;
- Pro Max (em breve): ainda mais.
O que é bem pensado é a progressividade. Começamos com 2 kWh, adicionamos módulos ao longo dos anos, sem recomeçar do zero quando chega o carro elétrico ou a bomba de calor.

Minha opinião após Munique
Ao voltar de Munique, tive uma impressão bastante clara: a Marstek mudou de escala.
Não é mais um fabricante que aprimora sua bateria principal. A linha agora cobre perfis muito diferentes, desde o pequeno apartamento que deseja armazenar 2 kWh até a casa que busca 30 kWh e um sistema capaz de operar autonomamente. A marca até propõe um pequeno inversor B2500D para alimentar certos aparelhos (escritório, geladeira, etc.).



O que aprecio é que eles não sacrificaram o que já era a força de seus produtos. A filosofia plug & play ainda está lá, e as funcionalidades que estão chegando (IA, otimização, compatibilidade de automação residencial, emergência em toda a casa, módulos adicionais, VPP) não sobrecarregam o sistema do lado do usuário.
Após vários meses com a Venus E 3, sei que as fichas técnicas da Marstek se sustentam na vida real. A falta na Sologne mostrou bem isso, e são esses tipos de testes em grande escala que falam mais para mim do que qualquer benchmark.
O que vi em Munique é uma marca que entendeu que o mercado não será mais conquistado apenas com quilowatt-horas ou watts. Ele será decidido pela capacidade de integrar a bateria em toda a instalação, fazê-la trabalhar de forma inteligente, conectá-la ao que o usuário já possui. Os outros fabricantes presentes em Munique parecem ter entendido isso também. A Marstek, eles, já têm os produtos.





